quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Um pouco de mim

É a primeira vez que faço isto e vou arriscar em colocar neste blog os meus pensamentos em palavras.
Vou escrever um pouco sobre a minha vida para me conhecerem melhor, espero que gostem, porque quem me conhece acha me muito corajosa e lutadora.
Será que vocês são da mesma opinião?
Vamos então ver.....

Tenho 26 anos e tenho 2 filhos uma menina de 11 anos e um menino de 6 anos, sim façam as contas, fui mãe aos 15 anos, é verdade.

Hoje olho para miúdas na rua que também têm por volta dessa idade e fico chocada, porque vejo na futura mãe adolescente a minha imagem. Sim fico chocada porque sei como é difícil as pessoas olharem, comentarem e julgarem....Mas a fase mais difícil é ser mãe nessa idade, há mães que aceitam e há outras que não, eu ao principio não aceitei, eu poderei dizer que não me sentia uma mãe, estava na escola e ainda não era o que eu queria agora, naquela fase queria era poder aproveitar os meus anos de adolescência a divertir me a arriscar a viver a vida sem que outra dependesse de mim. 
Felizmente caiu me do céu uma senhora que me ensinou a cuidar da minha filha quando ela nasceu, mas eu ainda mesmo assim não queria ser mãe, não me sentia preparada.
Em Janeiro dei à luz a minha filha, parto normal sem epidural, e com montes de enfermeiras estagiárias à minha volta para ver o nascimento, uma vez que eu era muito nova tinha apenas 15 anos. 
Quando ela nasceu era tão pequenina e eu pensei: Será que vou conseguir?

Com a ajuda da senhora que me acolheu eu consegui apaixonar me pela minha filha,cuidei, tratei e amava-a.... 
Mas passado alguns anos voltei a afundar me novamente.....

Quando atingi a idade dos 19 anos estava a viver sozinha, tinha um trabalho e engravidei novamente, eu não tinha família, apenas a minha irmã, a senhora que me ajudou a cuidar da minha bebê e a minha filha com 4 anos. O mundo desmoronou à minha volta. 
Na altura eu trabalhava num supermercado que estava a ir à falência e não tinha como pagar as minhas despesas, decidi despedir me e ir trabalhar no campo, eu vivia num meio pequeno e o campo era onde a maior parte das pessoas daquela terra trabalhava para sobreviver,, eu fui uma delas, durante 6 meses trabalhei no campo, sim trabalhei grávida, tive de esconder a minha gravidez de todos e esconder a minha barriga para poder me sustentar, foram 6 meses de inferno. Desta vez não tinha ajuda de ninguém, eu tinha tanto medo de contar às pessoas, tinha medo que me voltassem a julgar, e todos os dias acordava esperando que me caísse uma solução do céu, eu nunca fui ao médico, nunca contei a ninguém nem à minha irmã.

Quando o trabalho do campo terminou passado 5 meses, eu fiquei em casa, tranquei me,  não falava com ninguém e não ia buscar a minha filha, pedia à minha vizinha do r/c para me trazer alguma comida e mal lhe abria a porta para ela não me ver.
As pessoas começaram a desconfiar que algo de mau se passava comigo.
Eu todos os dias saía com as minhas amigas para beber café, passeava com a minha filha e deixei de fazer isso para não descobrirem.
A minha irmã ia a minha casa e eu não lhe abria a porta. Até que chegou um dia, passado um mês em que eu abri a porta à minha irmã porque ela ameaçou-me que se eu não abrisse a porta chamava a polícia para ver como eu estava. Estivemos a conversar mas ela não desconfiou porque eu disfarcei a minha barriga para não se notar, ela viu que eu não estava bem e que  precisava de ajuda, eu estava muito debilitada porque não me alimentava, então ela tirou me a chave de casa sem eu perceber e foi ter com um médico e contou lhe o que se passava comigo e que não me conseguia tirar de casa, o médico aconselhou a a juntamente com a policia levar me a um hospital e foi o que fez.

Quando cheguei ao hospital foi quando lhe disseram que eu estava gravida de 6 meses, e eu dizia lhe que não era possível, nem eu acreditava que estava grávida, porque naqueles meses apenas me focava que não estava grávida e as coisas iam se resolver. Psicologicamente eu estava mal, não aceitava que estava grávida e fiquei internada durante 1 mês num hospital psiquiátrico.
Durante esse tempo como eu não tinha trabalho fiquei sem a minha casa, não tinha para onde ir, a minha irmã morava com a sogra e eu não tinha ninguém.
Agora a minha casa era o hospital psiquiátrico.

Uma assistente social fazia os possíveis e impossíveis para me ajudar, a minha única solução era uma instituição, passado um mês, eu de 7 meses de gravidez, o esforço da assistente social deu frutos consegui ir a uma entrevista numa instituição de mães gravidas em Lisboa, passado alguns dias fui viver para lá, mas as consequências eram enormes, deixei os meus amigos, a minha irmã e tive de deixar a minha filha, sofri muito ao deixá la, ela ficou com a senhora que me ajudou a cuidar dela.


A adaptação a um novo meio, a novas pessoas, a uma nova cidade, a uma nova vida e a um novo bebê foi confuso.
Durante um mês na instituição rodeada de bebes, de mães adolescentes, de regras, aprendi muito. Durante esse tempo aprendi a cozinhar, aprendi realmente a ser mãe, digo isto porque quando tive a minha filha a senhora que me ajudou cuidava mais da minha bebe do que eu, eu continuava a ser uma criança a querer sair, namorar....mas na instituição eu não tinha ninguém para me ajudar a cuidar de um bebe, apenas me ensinavam a ser mãe. 
A minha maior preocupação era se o meu filho era saudável. Durante a gravidez eu não me alimentei como deve ser, fumava muito e fiz trabalhos pesados, o que não é aconselhável para uma grávida.
Já de 8 meses de gravidez e apenas com uma visita ao hospital para saber se a gravidez estava a correr bem o meu filho resolveu nascer em Setembro.
Oh meu Deus, passados 6 anos ainda me lembro como se fosse hoje, o nascimento do meu filho. Apenas o poderei descrever como mágico, uma nova era para mim.
Fui para o hospital calmamente com a assistente social da instituição e o meu filho passado 3 horas nasceu, de parto normal e sem epidural, as enfermeiras não tiveram tempo, nem tinha feito exames para saber se podia levar a dita injecção.
Aquele momento em que o dei à luz o meu filho, e o colocaram no meu colo antes de cortar o cordão umbilical eu comecei a chorar e a perguntar se ele estava bem de saúde se era saudável? Ninguém me sabia responder, Passados alguns minutos eu ainda estava deitada na maca e deitaram o meu filho dentro de uma caixa de vidro aos meus pés e quando levantei a cabeça olhei para ele, o meu bebe estava de olhos abertos a olhar para cima como se estivesse a olhar fixamente para mim e foi nesse momento que senti aquela ligação inexplicável de ser mãe como nunca havia sentido, senti que desceu em mim uma luz e acordei para ser mãe. Quando o deitaram ao pé de mim para ele mamar  pegou logo à primeira e teve 45 minutos a mamar sem parar, não conseguia deixar de o olhar, de admirar, de lhe dizer foste um valentão conseguiste sobreviver dentro de mim.


As enfermeiras vieram ter comigo e disseram que o meu filho era muito saudável. Eu perguntei: Como é possível se eu não cuidei dele enquanto grávida? 
Hoje chego à conclusão que o meu filho cuidou dele e de mim durante a gravidez, ele queria nascer e por alguma razão ele aqui está, saudável e um grande homem.
Fiquei mais 2 anos na instituição até conseguir arranjar um quarto para morar e um trabalho.
Falava com a minha filha todos os dias eu ia visitá la ela vinha me visitar, quando conheceu o irmão ficou fascinada, hoje são os melhores amigos, adoram se e o meu filho de 6 anos é quem por vezes  chama a irmã à atenção por coisas que não deve fazer, ela não gosta de desiludir o irmão, quando sabe que o desilude ela fica muito triste.
Nos dias de hoje posso dizer que sou feliz amo os meus filhos, quando eles estão doentes eu fico ainda mais doente, quando eu estou triste eles sentem e perguntam porquê? Cuidei sozinha do meu filho durante 3 anos sem ninguém. Aprendi a lutar sozinha por ele, porque foi o meu bebe que me ensinou a ser valente.
Sentimos uma ligação especial e sei que quando eles não estão bem eu também não estou e vice versa .


Passei por muito, sofri muito para aprender a ser mãe mas voltava a passar por tudo novamente, é inexplicável este sentimento que sinto pelos meus filhos, porque são eles a minha vida, sem eles eu não tinha vida.